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O outro lado da notícia: Aconteceram de fato “15 estupros” em Arcoverde?

O número de 15 estupros em Arcoverde, recentemente divulgado por um blog local de forma abrangente, causou estranheza nas pessoas que lidam com o dia-a-dia do problema, visto que a violência sexual é algo que se dá de maneira silenciosa e quem nem sempre as estatísticas espelham a realidade. 
Para tanto, este site aprofundou o assunto com Mihh Valério, que comanda a Coordenadoria Municipal da Mulher. “As pessoas precisam entender que 71% dos casos de estupro acontecem nas proximidades das residências, às vezes perpetradas por parentes ou até amigos; é algo grave e que gera muita vergonha aos envolvidos, sem contar do constrangimento da vítima na hora de relatar o fato a um policial ou agente homem, muitas vezes as mulheres não conseguem sequer repetir na frente das autoridades as agressões verbais(palavrões) proferidas pelos companheiros”, argumenta Mihh.
A coordenadora não questiona os dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, mas faz ressalvas importantes. “A veiculação diz apenas que foram 15 estupros, mas não faz qualquer detalhamento da especificação das vítimas - não diz se é criança, adolescente ou mesmo mulher adulta; é preciso ter cuidado ao divulgar uma notícia dessa maneira. Sem falar que existe a chamada ‘cifra negra’ que são os casos que não aparecem nas estatísticas, então parece ser algo irreal e não factível dizer que aconteceram ’15 estupros em Arcoverde’’’, ponderou Mihh. 
A coordenadora disse também que, de 15 de abril de 2016 até agora, dos casos que chegaram à Coordenadoria apenas um caso foi notificado como estupro. “Basicamente se um caso não chegou até aqui notificado como estupro, tem-se  o entendimento que não é de mulher adulta”, avalia MIhh. Ela destacou que com a perspectiva da implantação da Delegacia da Mulher em Arcoverde, certamente acontecerá uma integração maior das políticas voltadas para o enfrentamento da violência doméstica e sexual.
Quando uma eventual vítima chega na Coordenadoria, vindas do Ministério Público ou da Delegacia Municipal - ou mesmo de forma espontânea, é feito a identificação da especificação pelas assessoras da coordenadoria, depois se faz o acompanhamento passo-a-passo de cada caso. “Entendemos as dificuldades que se tem para combater a violência sexual, esse tipo de violência há muito tempo está arraigada na sociedade, mas temos tido avanços tanto na área urbana quanto na área rural”, disse Mihh. 
Para tanto, nesta sexta-feira(21.07), aconteceu no distrito das Caraíbas, uma Roda de Conversa sobre a violência contra as mulheres na zona rural. Os debates levam noções de cidadania, justiça e acesso aos mecanismos de proteção em caso de violência doméstica. Outras “rodas de conversa” acontecerão em 9 distritos rurais. A iniciativa é uma parceria com a Universidade de Pernambuco, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Secretaria de Agricultura de Arcoverde, Comissão da Mulher Advogada da OAB e Secretaria da Mulher de Pernambuco.
A Coordenadoria da Mulher, em parceria com a OAB, está programando, para agosto(mês alusivo à Lei Maria da Penha e também ao advogado) , um seminário voltado para os homens. “Quase sempre a vítima de violência doméstica é a mulher, mas precisamos ouvir com atenção os homens que de certa forma têm importante dependendo de cada caso”, concluiu Mihh.
A equipe da Coordenadoria da Mulher é composta - além de Mihh - das assessoras Jaílza Assis e Mauricéia Oliveira, da assistente social Raphaella Santana e de Valdira Ramos(da igualdade social e do Movimento das Mulheres Negras.
 
Fonte:  http://www.muriemoraes.com.br

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